Nossa História

História Real da Família Pagliarin contada pelo seu Patriarca,
o Pr. Ulysses.

Ela começa assim…

…O meu pai, José Pagliarin, era um homem muito católico, daqueles bem convictos, mas graças a Deus, o Senhor tem seus planos e ele começou a conhecer a Jesus através de uma visita que fez a uma cadeia.

Episódio 1 – O Começo da História!

1-1Ele e o seu irmão, o meu tio Valentin, andavam muito juntos. Eles eram tropeiros (condutores de animais) e iam sempre a Goiás, onde compravam Cavalos e Burros, trazendo-os para São Paulo, onde vendiam os animais aos fazendeiros de Café.

Eles sempre foram metidos a valentes, briguentos e andavam armados (com um revolver 38 e um punhal enfiado na cintura, atrás da calça). Além disso, eram viciados em jogos e não jogavam por diversão, somente por apostas. Para vocês terem idéia, esse meu tio uma vez apostou e perdeu um sítio num jogo. Esse sítio nem era dele, era de um parente da família. Imagine a briga de família que foi gerada por tal atitude?

Pois bem, além disso, bebiam muito. Bebiam até o ponto de ficarem totalmente embriagados. Meu pai era sanfoneiro e andava pelas fazendas tocando. Colocava uma cadeira em cima de uma mesa, um garrafão de pinga embaixo da cadeira e ficava tocando sua sanfona e bebendo pinga a noite inteira. Esse era meu pai.

Já o meu tio Valentim, por causa de um jogo em 1920, teve uma encrenca com um capataz de uma fazenda. Esse capataz, um belo dia, chegou à porta da casa do meu tio para matá-lo por causa de um desentendimento em um jogo de cartas, no qual meu tio tinha perdido. Nessa época, meu tio morava numa fazenda chamada “Geronda”, perto da cidade de Espírito Santo de Pinhal e naquele dia tinha trazido da cidade uma cartucheira 32 (trinta e dois) que ele tinha mandado consertar. A arma estava engraxadinha, bem arrumadinha, pendurada na parede da sala. E o que aconteceu, então? O capataz veio matá-lo e a casa da fazenda onde eles moravam era antiga, daquelas de parede de meia que nem eram forradas nem nada e que tinha uma escada. O capataz lá do pé da escada dizia para o meu tio Valentim:

– “Italianinho”, eu vou ter pegar! Eu vou te matar! – e vinha com a faca na mão em sua direção.

E meu tio Valentim respondeu:

– Não sobe a escada porque, se você subir, quem te mata sou eu!

O capataz, então, abriu a camisa e gritou:

– Que nada “Italianinho”! Eu tenho o meu corpo fechado! Pode atirar que eu não corro perigo. Comigo não acontece nada! – e começou a subir a escada.

Meu tio avisou de novo pra ele:

– Não sobe porque senão você morre!

Ele correu e pegou a cartucheira que estava pendurada lá na parede da sala e repetiu mais uma vez:

– Não sobe, senão você morre!

E de novo o capataz gritou:

– Que nada “italianinho”, eu tenho o corpo fechado! – e começou a subir a escada. Quando ele estava quase chegando no topo da escada, meu tio não teve dúvidas, descarregou a cartucheira no peito dele e o capataz rolou escada abaixo, caindo morto. Não tinha corpo fechado coisa nenhuma.

Nisso, minha Avó, que se chamava Luíza, muito católica, mandou que o meu tio Valentim fugisse para não ser preso e quando a polícia de Pinhal foi lá, pra prender meu tio, já era tarde. Ele tinha fugido para o mato.

Os policiais não conheciam meu tio e pediram uma foto dele para minha avó. Ela, inocente, deu a foto e eles começaram uma verdadeira caçada em busca dele. Além de investigar pelas redondezas, investigaram também em São Paulo, mas ele estava muito bem escondido no mato e ali ele ficou. A minha avó fazia meu pai ir à meia-noite levar comida pra ele na mata virgem, lá perto de Pinhal.

A minha Avó era muito católica, daquelas que acreditavam muito em santos, e disse para o meu pai falar para o meu tio Valentim ir para Aparecida do Norte fazer uma promessa para Nossa1-2 Senhora Aparecida, porque se ele fizesse a promessa, a santa não deixaria ele ser preso. Meu pai deu o recado e no outro dia levou dinheiro e roupas para o meu tio que, então, partiu para fazer a promessa em Aparecida do Norte.

Depois de fazer a sua promessa, ele voltou para Espírito Santo de Pinhal achando que não ia acontecer nada com ele. Naquela época, a viagem tinha que ser feita de trem e ele estava na Estação da Luz, esperando a próxima partida. Foi aí que um investigador de Polícia, que antigamente era chamado de Capitão, viu meu tio esperando o trem. Como não tinha muita certeza de que era ele, resolveu chamar em voz alta:

– Ô Valentim!

E meu tio, imaginando estar protegido pela promessa que havia feito e ao mesmo tempo achando que era que era algum dos seus vários conhecidos, respondeu gentilmente:

– O que é? – e virou-se tranquilamente.

O Capitão o reconheceu imediatamente porque tinha a foto do meu tio e falou:

-É você mesmo quem eu procuro! Você está preso!

Episódio 2 – Uma maldição que foi transformada em benção

O Capitão, que estava perseguindo-o já algum tempo pelo assassinato cometido, não hesitou em dar voz de prisão ao meu tio e levou-o preso.

1-3O meu tio foi julgado e condenado a catorze anos de prisão. Infelizmente, por causa disso, a esposa do meu tio, que estava grávida e muito abalada com o ocorrido, veio a falecer ao dar à luz a um filho.Todos os domingos meu pai ia visitá-lo na cadeia e um dia o meu tio, que ganhou uma Bíblia de um grupo de crentes que foi até lá para evangelizar os detentos, disse pro meu pai:

– Pepi (apelido carinhoso como ele chamava o meu pai) vieram aqui uns “Quebra-Santos” (naquela época os crentes eram chamados assim) e me deram este livro.  não quero essa Bíblia. Se você quiser pode levar pra você, fique você com ela.

Meu pai pegou aquela Bíblia, levou-a pra casa e começou a ler e a estudá-la. Quanto mais ele lia, mais concluía o seguinte: “Puxa! Como eu estou com a vida errada!” Mas logo em seguida, ele pensava: “Esta Bíblia aqui não é católica, é uma Bíblia protestante”. Acabou duvidando da Palavra ali escrita e resolveu ir até a cidade de Pinhal pedir para o Padre da Igreja local para conferir as duas versões: a da Bíblia Católica e a da Bíblia Protestante. O Padre entregou pra ele uma Bíblia grande, toda ilustrada e assinada pelo Papa. Estava escrita em italiano. Para ele, entendê-la não era nenhuma dificuldade. Apesar de ter chegado ao Brasil com apenas dois anos de idade, ele entendia muito bem o italiano. Ele começou então a comparar os dois livros e percebeu que não havia diferença de ensinamento entre eles.

Depois que meu Pai conheceu a palavra de Deus, tornou-se um grande estudioso das Escrituras Sagradas e procurou uma Igreja Evangélica. Começou a participar das Reuniões, se converteu e confessou a sua fé em Jesus Cristo,

o aceitando como seu Senhor e Salvador!

Eu cheguei a conhecer o meu Tio Valentim. Ele era um pouco mais velho do que o meu pai, porém não optou pelo mesmo caminho.

Quer dizer: não aceitou a Bênção recebida através dos crentes lá na cadeia, ele não aceitou e preferiu entregar o Livro Sagrado que ganhou ao meu pai, que aceitou a Palavra de Deus em sua vida.

Infelizmente, o meu tio veio a falecer muito antes que o meu pai. Ele tornou-se um homem entregue a um lamaçal de pecados: virou um alcoólatra inveterado, comprava e consumia muita aguardente e sua família se desestruturou quase que completamente. Quando saiu da cadeia, juntou-se com uma menina menor de idade que ia visitá-lo na cadeia.  Ele tinha idade suficiente para ser o pai dela. Além de tudo, apesar de ser menor, ela era uma moça de “vida fácil”. Eles tiveram um filho que, depois de crescido, tornou-se bandido.1-4

Já a família do meu pai foi muito abençoada pois, acredito piamente que foi tocada pela mão de Deus.

Na época, quando jovem, poderia se dizer que eu era um “quase” crente. Ia à igreja só para acompanhar meus pais, somente para fazer o gosto deles. Porém, meus pensamentos não estavam voltados para a casa do Senhor, para adorar Jesus. Eu, na verdade, pensava na praça, nos meus amigos, nas meninas que talvez eu pudesse paquerar. Contudo, sentia que meu coração amava a Deus e tinha temor a Ele.

Devo contar que eu, na juventude, era muito namorador e um belo dia conheci uma morena linda chamada Elza.

Foi então que Deus mudou a minha vida por completo!

 

Episódio 3 – O Namoro, o Casamento e a Conversão da Esposa do Pastor Ulysses Pagliarin. Enfim, o desfecho de uma linda História que o Senhor  Deus determinou!

Um dia, eu estava com um amigo em uma esquina e passou uma morena caminhando com uma leiteira na mão. Quando ela passou, eu disse: “Oh , morena linda, eu vou me casar com você!”. Ela ao escutar isso ficou toda envergonhada.

A história poderia ter parado por aí, mas um belo dia, eu estava andando na cidade e me deparei com ela vindo na mesma direção com uma amiga, caminhando na calçada. Foi aí que, aproveitando a oportunidade, fui ao encontro dela, parando bem na frente dela e dizendo,  na maior cara de pau:

aproveitando a oportunidade, fui ao encontro dela, parando bem na frente dela e dizendo,  na maior cara de pau:

– Eu quero conversar com você!

A amiga dela se distanciou, nos deixando a sós para que pudéssemos conversar e, após um longo papo, me dispus a levá-la para a casa. Foi então que eu descobri que, na verdade, ela morava em Campinas. Estava aqui em São Paulo apenas para passar alguns dias na casa do seu tio. Mas,neste mesmo dia, começamos a namorar.

O tio dela chamava-se João e quando soube do nosso namoro, levou-a imediatamente para Campinas e contou tudo para o seu pai que foi logo dizendo:

-Se ele quer namorar a Elza, ele tem que vir aqui falar comigo e pedir a sua mão em namoro.

Meu futuro sogro, tinha 8 filhos e ela era a mais velha, tinha 16 anos. Era natural que ele zelasse pelo bem-estar dela.

Ela me contou da exigência do seu pai, cujo nome era Antonio, e eu lhe disse:

– Não tem problema não. Quando você quiser, eu vou lá e falo com ele. E ela me respondeu:

– Domingo, o tio João nos leva pra lá. Perguntei a que horas.

Ela me disse ás cinco da manhã e respondi que ela poderia me aguardar, pois estaria às cinco horas no portão da sua casa. E assim foi. Pontualmente, as cinco eu estava lá. Pegamos o trem e fomos juntos para Campinas.

Na hora do almoço, eu, calmamente, conversei com ele e lá mesmo ajeitamos tudo.

1-5Elza e eu namoramos por um período de um ano e no mês de maio de 1950, demos a entrada de toda a documentação em cartório de Campinas para casarmos. Eu, na verdade, tinha tanto medo de perdê-la, pois gostava tanto dela, que eu não contei que eu era evangélico. Isto porque ela era muito católica e eu pensava que, se eu falasse para ela que eu era “crente”, eu a perderia. Fiquei quieto e quando tudo estava marcado, com todos os papéis já preenchidos, eu disse para ela que nós não íamos nos casar na frente de homem

que veste saia. Nós íamos nos casar na Igreja Metodista. Quando ela soube, chorou muito, mas como ela gostava muito de mim, acabamos casando na Igreja Metodista, em Piracicaba, no dia 20 de maio de 1950.

O meu pai, José Pagliarin, começou a evangelizá-la. Sempre que podia, ele sentava com ela e lia a Bíblia. Com o tempo, ela passou a ir com ele com mais freqüência para a Igreja.

Passado alguns meses, ela foi, a convite de uma das minhas irmãs, numa Igreja Pentecostal. Quando elas chegaram, o dirigente da Igreja não permitiu que a minha esposa entrasse porque ainda ela não era batizada nas águas e a minha irmã falou ao dirigente que se ela não podia entrar, ela também não entraria. Sendo que, dessa maneira, o dirigente falou prontamente:

– Hoje nós iremos abrir uma exceção.

Naquela mesma noite ela foi batizada pelo Espírito Santo e tão forte foi tomada pela sua força que, mesmo depois que ela saiu da Igreja, ela continuava falando em línguas estranhas. Quando 1-6eu vi a minha esposa falando daquele jeito, fiquei amedrontado. Até porque, eu não sabia muito a respeito do batismo no Espírito Santo, e pensei: “Puxa vida! O que aconteceu com a minha mulher?” Ela queria conversar comigo e só falava na língua dos anjos. Minha irmã me explicou que ela havia sido batizada com o Espírito Santo. Estava tão feliz que chorava de alegria e eu ainda continuava espantado. Nesta época, eu não era um crente muito presente na Igreja. Eu gostava de jogar futebol e mal freqüentava a Igreja Metodista onde eu me casei. A minha esposa, agora convertida e fiel a Jesus, me cobrava de ir com ela na Igreja Pentecostal, onde ela foi envolvida no poder do Espírito Santo. De tanto insistir, eu fui e naquela Igreja eu ouvi a pregação que um Diácono trouxe falando à respeito do “mancebo de qualidade”. Aquela pregação me tocou de tal maneira que, a partir daquele momento, eu me decidi a servir Jesus 100%. Vários amigos meus me procuravam e até me ofereciam dinheiro para eu voltar a jogar futebol. Eu, simplesmente lhes dizia que meu negócio agora era outro: Jesus. E, desde então, eu tenho servido a este Deus maravilhoso.

Estou casado com a minha esposa, Elza Ricci Pagliarin, há 55 anos e ando com Deus desde a minha decisão definitiva há 53 anos. Quero deixar bem claro aos nossos irmãos e irmãs que a melhor decisão da minha vida foi aceitar a Jesus como Senhor e Salvador.

Hoje, mais do que nunca, sou um homem feliz e realizado pois a minha família serve ao mesmo Deus que eu sirvo em todos esses anos de dedicação ao Senhor. Eu também louvo à Deus pela vida dos meus filhos, que hoje são Pastores além também, dos meus netos, inclusive a Talita Pagliarin, onde eles, já representam a quarta geração de pregadores da Família Pagliarin. Fique você sabendo, que a verdadeira felicidade só podemos encontrar em Jesus Cristo.